Sítios Tupis em Itaúnas

ft_08No Parque Estadual de Itaúnas e no seu entorno foram localizados nove sítios com cerâmica Tupi, dos quais seis ao longo do rio Itaúnas. Em dois sítios, alguns fragmentos encontram-se juntos à cerâmica Itaúnas, indicando uma contemporaneidade de ambos os grupos. No sítio “Ni-01” a cerâmica Tupi está associada ao material histórico do século XIX, limita-se a pratos e tigelas não decorados o que sugere uma participação dos índios Tupi na produção da farinha de mandioca.

Na época do descobrimento, o litoral da Bahia até São Paulo estava ocupado principalmente por índios da língua Geral. No século XVII a maioria desses grupos já estava extinta devido às epidemias, à escravidão e às matanças. No ES os sítios mais antigos dessa cultura recuam a 900 d.C. e situam-se, segundo o Arqueólogo Celso Perota, no vale do Itapemirim.

A atual Vila de Itaúnas foi constituída sobre uma antiga aldeia Tupi. Descendentes dos índios Tupi moram até hoje na área do Parque e nos seus arredores. A cerâmica Tupi caracteriza-se pelo tempero de caco moído ou de quartzo, ombros, bordas cambadas, decoração plástica e pintura policroma, ligada ao mundo simbólico. O signo da cruz representa, segundo a mitologia, a criação e destruição do mundo – o eixo leste-oeste a escora da terra. (Tachetto, 1996).

Os grandes potes e os assadores foram utilizados para o preparo do cauim (bebida fermentada) e da farinha de mandioca. Os recipientes maiores podem atingir até 100 litros, mas a maioria das vasilhas, com apenas 5 litros, se destinou a servir bebidas e alimentos, indicando grupos domésticos pequenos. Os adornos labiais (tembetas) do sítio “Ri-03” estavam provavelmente associados a enterros em urna dentro do próprio espaço da aldeia.